Tu me amas... Ou tu me asma?
As mais sóbrias aspirações se dão no ápice da asma, quando falta oxigênio ao cérebro.
Você, menina, que tantas vezes tirou o meu fôlego, e a vontade de manter viva minh’alma se torna a menor das minhas necessidades. É preciso aspirar o respirar. Devagar, calmo, abrir-se por dentro, convidar o ar para entrar. Já não me preocupo em te seduzir... Ora respiro, ora não... Sou apenas um boneco de barro, é preciso que um deus misericordioso sopre fôlego em meus pulmões. Ora oro por hora, para ver se o deus vem logo, andando sobre águas de soro para me sarar, com bafo quente, e hálito de bromidrato de fenoterol.
Aqui está, marrom como a terra, este boneco... Poderia o meu sofrimento dar prazer ao deus? Poderia eu roubar, para mim, dEle uns suspiros, pros meus pulmões? Sinto-me mais sedutor do que nunca, mas Ele não vem.
Um coração partido, certamente, mas não sei se posso dizer que é por você. Veja bem, a minha caixa torácica, de Pandora – que tantas vezes você abriu por mera curiosidade –, se aperta, sem esperteza, para segurar o fôlego em meus pulmões... Não por amor a mim, pois me parte o coração numa dor mortal pela vida, mas tão somente por capricho para com o arzinho que puxou, com esmero sacrifício.
Meu corpo ri de mim... Acho que pelo passado, em que te aspirava e te “re-aspirava” quando, mais de uma vez me negou. Hoje não respiro e por um instante não te aspiro. Parece uma troca justa; divina.
Só respirar é necessário...

Nenhum comentário:
Postar um comentário