segunda-feira, 10 de junho de 2013

Quem tu asma...

Tu me amas... Ou tu me asma?



  As mais sóbrias aspirações se dão no ápice da asma, quando falta oxigênio ao cérebro.

  Você, menina, que tantas vezes tirou o meu fôlego, e a vontade de manter viva minh’alma se torna a menor das minhas necessidades. É preciso aspirar o respirar. Devagar, calmo, abrir-se por dentro, convidar o ar para entrar. Já não me preocupo em te seduzir... Ora respiro, ora não... Sou apenas um boneco de barro, é preciso que um deus misericordioso sopre fôlego em meus pulmões. Ora oro por hora, para ver se o deus vem logo, andando sobre águas de soro para me sarar, com bafo quente, e hálito de bromidrato de fenoterol.
Aqui está, marrom como a terra, este boneco... Poderia o meu sofrimento dar prazer ao deus? Poderia eu roubar, para mim, dEle uns suspiros, pros meus pulmões? Sinto-me mais sedutor do que nunca, mas Ele não vem.

  Um coração partido, certamente, mas não sei se posso dizer que é por você. Veja bem, a minha caixa torácica, de Pandora – que tantas vezes você abriu por mera curiosidade –, se aperta, sem esperteza, para segurar o fôlego em meus pulmões... Não por amor a mim, pois me parte o coração numa dor mortal pela vida, mas tão somente por capricho para com o arzinho que puxou, com esmero sacrifício.

  Meu corpo ri de mim... Acho que pelo passado, em que te aspirava e te “re-aspirava” quando, mais de uma vez me negou. Hoje não respiro e por um instante não te aspiro. Parece uma troca justa; divina.

  Só respirar é necessário...

Nenhum comentário:

Postar um comentário