sábado, 15 de junho de 2013

Ela leu: “eu”...

Leu: “eu”?! Mas este "eu" não é sobre você, ainda! 

            
        Tenho por nome, Nário Gangá e devo dizer que não espero falar sobre muita coisa de minha pessoa, mas tão somente do meu ser.         
        A melhor maneira de falar sobre seu “Eu interior” é falar sobre o que eu sou. Na verdade, nada que é “interior” às pessoas interessa muito. O que interessa, na verdade, é aquilo que poderia ser externado, e eternizado, mas não o é por algum receio moral, emocional ou social. Aí está o segredo da coisa: o que importa são os segredos ou o “pouco conhecido”!
            Vou contar os meus segredos: Um, dois, três, quatro, cinco... Pronto, acho que a primeira coisa interessante é: Eu não sou boa com piadas. Isso explica o porquê de você rir tão pouco. Isso é muito mais interessante do que falar sobre seus problemas consigo mesmo. É hora de falar sobre você... Você interessa, por agora... depois quero ver o que tens a dizer sobre ela.

            Eu sou um ser que decidiu consagrar a vida à Poesia, ao Drama e à prosa... Não necessariamente à literatura ou à língua mãe. Gosto de escrever! Isso basta! Acho que isso é usado como um critério importante para que eu me aproxime de alguém. As pessoas devem gostar do fato d’eu escrever e devem gostar de qualquer que eu escreva (na ordem que eu coloquei)!
            Não aceito que alguém goste mais do que eu escrevo do que de mim... É paradoxal – bem sei – para alguém que jurou dedicar a vida à Poesia, Drama e Prosa! Mas eu me aceito muito bem como um ser paradoxo, desde que eu seja paradoxo e, concomitantemente, coerente. (Paradoxal, não?!).
            Eu escrevo o que sou, mas o que escrevo acaba passando a ser o que eu serei para você, que lê. Assim, pouco importa as minhas motivações para escrita ou o meu método. Isso está diluído em tudo... Para que escrever sobre a minha escrita? Minha escrita não tem uma forma e uma temática? Leia, e saberá tudo o que interessa saber sobre meu lado escrevinhador...
            Se um dia me disser que sou bom, direi, como um cristo: “Bom é Manuel Bandeira”!
            Já falamos de mais sobre mim, agora vamos falar sobre quem eu sou.
            Sou alguém que não acredita em horóscopo, mas se acreditasse (hipoteticamente), diria que o melhor signo é o de Leão, por ser livre da ditadura da humildade, amiga da hipocrisia, que impede que as pessoas saibam quem são, tanto as outras, quanto a si mesmas... Você, minha querida, jamais saberia o porquê de suas qualidades se não fosse pelo fato d’eu falar das minhas. Horóscopo, a meu ver, é como a Bíblia: Não precisa acreditar, mas tem que conhecer, nem que seja para puxar assunto. É ser ocidental!
             Tenho baixa autoestima, apesar de estimar bastante o que sou. Sou o que quero ser no máximo de minhas possibilidades. As pessoas dizem que isto é um problema a ser superado, mas creio que as pessoas devem ser constantemente superadas.  
            Acho melhor eu para de escrever este “Ecce homo” pessoal... Mas interpretar a mim é interpretar a você. É imoral aceitar que alguém pode ser melhor que você. Não devemos ser os melhores humanos que existem?!
            Se, mesmo depois de demonstrar minha capacidade de “auto adjetivação”, você insistir que eu sou bom, direi, como um Zaratustra: “Bom é Nietzsche”!
            Meu nascimento foi típico de um herói... Dificuldade para achar maternidade e esse tipo de coisa.
Cresci, na ignorância dos heróis, como um bom cristão, até que tive aquela luz reveladora que os heróis têm (sabe?!) que aumenta a percepção sobre quem é e sobre a sua missão: Eu me descubro, além de cristão e protestante, darwinista, marxista, nacionalista, agnóstico teísta, petista... Algumas dessas coisas se combinariam entre si? Não, até que eu nascesse. E a ti, dei muito disso, mas não tudo. Tudo o que crio são reformulações desses paradoxos, na verdade, amenizo-os.
            Como um herói que se dê ao respeito, devo ter alguma chaga. Eu sou asmático (como o Che Guevara) e luto contra ela até perder o fôlego... Muito do que escrevo, como já disse, e voltarei a dizer, é divido à constante falta de oxigênio no cérebro. 
            Quanto à morte heroica, ela acontece todos os dias, enquanto escrevo abstêmio. São tiros e tiros e tiros na minha cabeça para ver se sobre esta tela escorre algo de interessante.
            Cansei... O resto de mim você verá em ti, em quem ler isso (pois teria que se identificar minimamente em algo para não sentir a “náusea humilde”), e é claro, na forma... Para sintetizar tudo o que dissera, digo: EU SOU O "SER" DO "SER OU NÃO SER!
      


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